O município de Pombal, no Sertão do estado, pode se tornar patrimônio cultural do cordel na Paraíba. Isso porque o deputado Tião Gomes (Avante) apresentou, nesta terça-feira (27), um Projeto de Lei que reconhece a importância do pombalense Leandro Gomes de Barros, considerado o rei dos poetas populares e o pioneiro na publicação de folhetos rimados, sendo um dos mais importantes poetas populares do Nordeste, e neste ano de 2018 completa 100 anos de sua morte.

Ao falar sobre o PL, o deputado disse que Leandro foi na literatura brasileira e mundial, um dos maiores ícones. Apesar de nascido em Pombal, o poeta popular rompeu as barreiras da Paraíba e ganhou conotação mundial.

“Estou apresentando esse Projeto de Lei reconhecendo a cidade de Pombal como patrimônio cultural do cordel, data que deverá ser celebrada a partir do dia 4 de março, dia em que faleceu Leandro Gomes de Barros. Essa é uma justa homenagem a quem ultrapassou os limites da Paraíba. Às vezes lamentamos o esquecimento de determinadas pessoas que fizeram a diferença para o estado, mas Leandro foi um grande homem que conseguiu através do cordel estimular a literatura em todo Nordeste, ou seja, em todo Brasil, e vem sendo desprezado pelos paraibanos, principalmente por aqueles que trabalham na cultura tanto de Pombal, quanto do Estado. Na França existe o local exclusivamente dedicado a Leandro Gomes de Barros, mas, aqui na Paraíba e no Brasil ele está esquecido”, defendeu o deputado.

Tião Gomes falou na tribuna que Leandro foi um grande homem que, mesmo semianalfabeto, ele conseguiu através do cordel estimular a literatura no Brasil.

“O cordel é de quem conhece, é da natureza. Foi em Pombal que se iniciou o cordel através das mãos e dos pensamentos de Leandro. Mesmo ele sendo semianalfabeto conquistou o mundo e apresentou o cordel para várias culturas. Os paraibanos precisam reconhecer o trabalho desse homem tão importante para a cultura”, falou o parlamentar.

Leandro Gomes de Barros – É considerado um dos mais importantes poetas populares do Nordeste. Foi autor, editor e distribuidor, fazendo-se uma das maiores expressões do mundo do cordel. Seus primeiros títulos começaram a ser impressos em 1893.

Nascido em 19 de novembro de 1865 no sítio Melancia, em Pombal, cidade do alto sertão paraibano, Leandro Gomes de Barros morou em Teixeira, município vizinho a Pombal, até 1880. Mudou-se com a família para Vitória de Santo Antão, Pernambuco, para onde levou as raízes da poesia, iniciando em 1889 a produção do folheto que o tornaria célebre. Faleceu em Recife, no dia 04 de março de 1918.

Em 1909, residindo no Recife, não tinha outra atividade alternativa a não ser fazer versos e vendê-los no Mercado São José, nas bodegas/vendas perto do largo da estação, nos trens ou em sua própria casa. Foi assim que conseguiu sustentar sua grande família.

Leandro Gomes de Barros foi seguido por poetas como Francisco das Chagas Batista, que começou a fazer versos em 1902, juntamente com João Melquiades. Estes poetas viajavam anualmente, na época das safras de produtos sazonais, pelos sertões da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará para vender seus folhetos de cordel.

 

 

Portal do Litoral

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