O Ministério Público Federal apresentou denúncia à Justiça nesta quarta-feira (18) contra o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho (o ‘Rei Arthur’) e o ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro Carlos Arthur Nuzman.

Eles são acusados no suposto esquema de compra de votos para a escolha do Rio de Janeiro como sede olímpica em 2016.

Também foram denunciados o braço direito de Nuzman e ex-diretor do Comitê Rio 2016, Leonardo Gryner, além dos senegaleses Papa Diack e seu pai, Lamine Diack, que é ex-presidente da Iaaf (Associação Internacional de Federações de Atletismo).

Investigações realizadas por autoridades brasileiras e francesas indicam que Nuzman e Gryner pagaram Papa Diack para que ele usasse da influência do pai na Iaaf, entidade filiada ao COI (Comitê Olímpico Internacional), para comprar votos dos membros africanos do comitê.

Um e-mail encontrado pela Polícia Federal revela que Papa Diack cobrou Nuzman e Leonardo Gryner por valores não recebidos.

“Nós estamos na sexta-feira, 11 de dezembro de 2009, e meu banco ainda não recebeu nenhuma transferência de sua parte. Eu tentei falar com Leonardo Gryner diversas vezes, mas não houve resposta. Você poderia verificar se ele pode confirmar 100% que as transferências foram feitas a meus endereços em Dacar ou Moscou”, escreveu Papa Diack a Nuzman.

Foram identificados pagamentos de US$ 2 milhões (cerca de R$ 6,3 milhões, na cotação atual) ao senegalês dias antes da votação. A transferência teria sido feita pela empresa Matlock Capital Group Ltd., de propriedade de Arthur Soares, o ‘Rei Arthur’, representante dos brasileiros nas negociatas, que em contrapartida teria contratos firmados por suas empresas com o governo de Sérgio Cabral no Rio de Janeiro.

Para o MPF, Nuzman e Gryner são equiparados a funcionários públicos, porque tanto o COB como o Comitê Rio 2016, responsável pela organização dos Jogos, eram gestores de verbas públicas recebidas pelas instituições e exerciam atividade típica de Estado, o esporte.

“A despeito de tratar-se de uma ‘pessoa jurídica de direito privado’, o Comitê Olímpico do Brasil, por meio de seus dirigentes, representa a República Federativa do Brasil em eventos esportivos internacionais, recebe verba pública (que representa a maior parte de seu orçamento) e, ainda, exerce uma atividade típica da Administração Pública Federal ao fomentar e organizar as atividades desportivas olímpicas no Brasil”, disseram os procuradores do MPF na denúncia.

Para Papa Diack, porém, o depósito vindo do Brasil foi uma “infeliz coincidência”. Segundo ele, em entrevista ao jornal The New York Times, os brasileiros estavam pagando para patrocinar uma nova competição de atletismo que estava sendo criado pela IAAF e ele seria o consultor de marketing do evento. Entretanto, tal competição jamais aconteceu.

A versão do africano diverge das investigações e principalmente do depoimento de Maria Celeste Pedrosa, secretária de Carlos Arthur Nuzman. Segundo ela, comentava-se na sede do COB que o dinheiro iria para construir pistas de atletismo na África e que foi depositado em contas controladas por Diack na Rússia.

Carlos Arthur Nuzman, assim como Sérgio Cabral, está preso na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, zona norte do Rio de Janeiro. O ex-presidente do COB teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal. A defesa nega as acusações e diz que a participação do dirigente “na empreitada criminosa” faz parte “da criação mental de seus algozes, que não contam com qualquer elemento capaz de respaldar a tese arquitetada”.

O pedido de prisão do MPF foi decretado, entre outros motivos, porque houve tentativa de ocultação de bens por parte do acusado, após a polícia ter cumprido no mês passado um mandado de busca na casa de Nuzman no Alto Leblon, no Rio. Entre os bens ocultados havia valores em espécie e 16 kg em barras de ouro em um cofre na Suíça.

 

R7

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