Com apoio da Sedap-PB, cooperativa de mulheres é apresentada durante evento em Rio Tinto

A Cooperativa das Mulheres Produtoras da Economia Solidária da Paraíba (CoopMulher) foi apresentada oficialmente nessa segunda-feira (22), durante a realização do 36º Encontro dos Territórios da Zona da Mata da Paraíba 2026, realizado no município de Rio Tinto, no Litoral Norte e que integra o Circuito Paraíba Agronegócios. A nova cooperativa e o encontro têm o apoio do Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap-PB).

A apresentação da CoopMulher, que terá sede em Rio Tinto, mas que terá a participação de mulheres produtoras de toda a Paraíba, contou com a presença do secretário da Sedap-PB, Júnior Nóbrega. “Esse momento é muito importante. Essa é a mensagem que o Governo do Estado quer passar, que estará com vocês em todos os momentos. A gente acredita muito na força do cooperativismo, principalmente na força da mulher. A mulher é aquela que consegue semear, é aquela que cuida”, destacou.

Júnior Nóbrega acrescentou que “o que se está iniciando aqui, com certeza, daqui a um ano, a dois anos, a três anos, nós vamos comemorar muito os frutos deste grande feito”. Ele salientou que a CoopMulher será um sucesso devido à força das mulheres que a integram com o apoio de parceiros como a Sedap-PB. E lembrou: “Nós não conseguimos fazer nada sozinho. Com união nós conseguimos fazer algo melhor, mais forte”.

A CoopMulher é integrada por 20 mulheres produtoras paraibanas de vários municípios e tem como sede o município de Rio Tinto. A criação da cooperativa é um passo à frente dado pela Associação Comunitária dos Agricultores Rurais de Boa Vista I, que completará 26 anos em outubro próximo. A produção da Coop Mulher será comercializada por meio da Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (Unisol Brasil).

A assessora de Gestão Social da Sedap-PB, Márcia Dornelles, que integra a  CoopMulher, realçou a importância da implementação do projeto: “Criar uma cooperativa de produção de economia solidária das mulheres é muito mais do que assinar uma ata de fundação ou organizar uma estrutura econômica. É, fundamentalmente, um ato de coragem, emancipação e partilha. Quando as mulheres decidem unir suas forças, suas ferramentas e seus saberes para produzir juntas, elas alteram a dinâmica do poder local, ressignificam o valor do próprio trabalho e constroem pontes sólidas em direção à autonomia financeira, social e emocional”.  E lembrou que com a CoopMulher, “a produção deixa de ser um esforço isolado e passa a ser uma engrenagem coletiva que gera renda, mas que também gera dignidade. Que a colheita seja tão abundante quanto a coragem de quem ousou semear este sonho coletivo”.

O presidente da Unisol São Paulo e coordenador Nacional de Comercialização da Unisol Brasil, Isnaldo da Costa Júnior, avaliou que o nascimento da CoopMulher demonstra a força da mulher no campo. “Isso mostra que estamos no caminho certo. Pelo empoderamento da mulher, pela participação da mulher na economia solidária. Isso, com certeza, vai dar bons frutos, porque a mulher é muito importante no crescimento da agricultura familiar. Aqui o processo é de inclusão da mulher no processo produtivo e participativo”, apontou.

A solenidade de apresentação da CoopMulher foi aberta com a realização de uma mística de gratidão à mãe Terra pelos frutos colhidos realizada pela indígena potiguara Sanderline Ribeiro dos Santos, que é uma das associadas da Coop Mulher e coordenada o Canto da Jurema, uma associação de produção de óleos vegetais fitoterápicos. Foram espalhadas sementes, folhas, aroeira e manjericão entre as pessoas durante o ritual. “É um simbolismo de todo o nosso trabalho durante esse período para surgir a cooperativa. Hoje, como associada e membro da diretoria dessa cooperativa, sinto no coração uma alegria imensa e uma emoção, porque nós sabemos a luta que enfrentamos para chegar até aqui”, enfocou.

A extensionista da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer-PB), que atua nos municípios de Gurinhém e Caldas Brandão, Ângela de Cássia de Alcântara, participou da solenidade e apontou que a CoopMulher “é um sonho da mulher rural que está sendo concretizado. É uma ação que tem a intenção de aglutinar, de fazer com que todos os territórios possam fazer parte e ser parte desse trabalho”. Ela pontuou que “pretendemos cada vez mais fazer crescer essa cooperativa para que ela possa cumprir seu papel e dar visibilidade a todos os agricultores e agricultoras familiares de nossa Paraíba e nesse contexto temos todas as parceiras, Banco do Nordeste, Governo do Estado, Empaer, Unisol, para que isso se torne realidade”.

Uma das responsáveis pela legalização, captação de recursos e divulgação da CoopMulher será Liliane Fell. Ela explicou que cada mulher que integra a cooperativa terá a atuação “dentro dos seus talentos e competências”. E afirmou que a criação da cooperativa “mostra para outras mulheres que é possível, que unindo forças, cada uma com sua competência, seu talento, a gente vai crescer muito e servir de referência para outras mulheres”.

Já a presidente da Associação Mulheres em Ação de Jacaraú, Maria das Graças Marques, que atua com a agricultura familiar, artesanato e realiza um trabalho de combate à violência doméstica na região do Vale do Mamanguape, afirmou que “essa cooperativa é um sonho realizado para todas nós que compomos o colegiado da Mata Norte”. Para ela, chegar “num momento desse de criar a cooperativa que vai fortalecer e vai dar um reflexo positivo à nossa produção significa a possibilidade de facilitar a comercialização da produção para mercados considerados distantes e inacessíveis até o momento”.

Outra sindicalista rural, Guiomar Braga, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Capim, que também representa a Federação dos Trabalhadores na Agricultura da Paraíba (Fetag-PB), afirmou que a cooperativa vai facilitar a comercialização dos produtos: “A gente vai ter como escoar a produção, não só das mulheres, mas, também, do agricultor, do homem e da mulher do campo”.

Opinião semelhante é apresentada por Olga Maria de Carvalho Barbosa, que integra a coordenação do Território da Zona da Mata Norte e a associação do Assentamento Tiradentes. “A CoopMulher vem agregar para a gente poder realmente comercializar os nossos produtos da agricultura familiar, afastando a presença do atravessador. E o consumidor vai estar realmente consumindo produtos da agricultura familiar, o que é muito bom”.

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