Paraíba é um dos cinco estados que mais investem em Pesquisa e Desenvolvimento, aponta ranking da CLP

A Paraíba conquistou o 5º lugar nacional e 3º no Nordeste no indicador de Investimentos Públicos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) na edição 2026 do Ranking de Competitividade dos Estados, do Centro de Liderança Pública (CLP), com 0,17% no indicador. O resultado mantém o estado entre os cinco que mais investem nessa área no país e ajuda a explicar por que a Paraíba vem se consolidando entre os estados brasileiros de maior destaque em inovação.

Para o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba, Cláudio Furtado, o resultado é fruto de um trabalho de anos. “Esse avanço não é obra do acaso. É fruto de um trabalho construído ano após ano, que coloca a ciência e a inovação paraibana no centro da estratégia de desenvolvimento do Estado. A Paraíba está mostrando que é possível fazer ciência de qualidade fora dos grandes centros do país”, afirmou.

Por trás do número está uma decisão de política pública. Entre 2019 e 2025, o Governo da Paraíba investiu mais de R$ 700 milhões em Ciência, Tecnologia e Inovação. Os recursos, aplicados pela Secties e pela Fapesq, financiaram bolsas de pesquisa, projetos de P&D que geram patentes e empreendimentos como startups, por meio do Parque Tecnológico Horizontes de Inovação, além de projetos estruturantes como o radiotelescópio Bingo, em Aguiar, citado pelo jornal O Estado de S. Paulo entre as iniciativas que impulsionaram o estado no ranking.

Os investimentos que explicam esse resultado positivo da Paraíba são realizados em diferentes etapas do ecossistema de ciência, tecnologia e inovação: pesquisa científica e tecnológica, formação de pesquisadores, infraestrutura, equipamentos, empreendedorismo inovador, popularização da ciência e participação em grandes projetos científicos. Há recursos para que a pesquisa aconteça, desde a estrutura necessária nos laboratórios e universidades até o desenvolvimento de projetos, tecnologias e soluções que podem resultar em patentes, novos negócios e aplicações práticas.

Um dos exemplos mais exitosos é o Programa Paraíba Sem Fronteiras, que já movimentou R$ 41,3 milhões e levou 214 estudantes e pesquisadores para experiências acadêmicas e científicas no exterior. O programa reúne ações de mobilidade e cooperação internacional com instituições de países como China, Alemanha, Itália, França e Reino Unido, além de iniciativas voltadas à internacionalização de empresas e ao incentivo à exportação. A estratégia amplia o acesso de pesquisadores paraibanos a novas experiências e redes de colaboração, ao mesmo tempo em que aproxima a Paraíba de instituições e ecossistemas de ciência, tecnologia e inovação de outros países.

A inovação também ganha espaço na estrutura criada para aproximar conhecimento, empreendedorismo e mercado. Inaugurado em dezembro de 2025, o Parque Tecnológico Horizontes de Inovação, no Centro de João Pessoa, foi concebido como um ambiente para incubação de startups, coworking, laboratórios e conexão entre universidades e setor produtivo. Enquanto a estrutura física avança para uma nova etapa de expansão, 36 startups já passaram por programas de incubação presenciais e virtuais. A política de inovação também alcança territórios historicamente menos inseridos nesse ecossistema: 50 projetos de empreendedorismo originados em favelas receberam apoio financeiro e mentorias por meio do projeto Empreendedorismo e Inovação nas Favelas, ampliando o acesso a oportunidades de desenvolvimento de negócios e geração de renda.

No interior, a estratégia ganha uma dimensão ainda mais ampla com o Complexo Científico do Sertão, que reúne diferentes equipamentos e iniciativas de pesquisa, divulgação científica e turismo científico em uma mesma política de descentralização da ciência. O conjunto já recebeu mais de R$ 75,8 milhões desde seu anúncio, em 2024, e integra projetos distribuídos em Aguiar, com o radiotelescópio Bingo, voltado à pesquisa astronômica; em Carrapateira, com a Cidade da Astronomia; em Sousa, o Vale dos Dinossauros; e em Cajazeiras, está sendo estruturado o Museu Científico de Arqueologia. Mais do que equipamentos isolados, o complexo cria uma rede de ciência e conhecimento no Sertão, com potencial para estimular pesquisa, formação, divulgação científica e turismo científico, levando investimentos e oportunidades para além dos grandes centros urbanos.

Uma trajetória de subida consistente

O resultado é o ponto mais recente de uma curva ascendente. Em 2023, a Paraíba estava em 9º lugar em inovação no país e em 2º no Nordeste. Em 2025, veio o salto: o estado assumiu a liderança regional em Inovação e subiu cinco posições no cenário nacional em relação a 2024. Manter-se no pelotão de frente em 2026 mostra que a base construída é sólida.

No indicador de patentes, o CLP considera o total de concessões de patentes de invenção, modelos de utilidade e certificados de adição em relação ao PIB. Aqui, as universidades paraibanas fazem a diferença: no ranking de depositantes residentes do INPI de 2023, a UFCG ficou em 2º lugar no país, com 101 pedidos, somando-se a 24 da UFPB e 17 da UEPB, num total de 142. Em 2025, o CLP destacou o aumento de patentes e da estrutura de apoio à inovação no estado.

Para a reitora da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), professora Célia Regina, o resultado mostra o amadurecimento da pesquisa produzida nas universidades do Estado. “Esse resultado positivo mostra a força da ciência, da tecnologia e da inovação que vêm sendo produzidas no nosso Estado, e também o papel fundamental das nossas universidades nesse processo”, avalia.

A perspectiva, agora, é ampliar essa trajetória. Entre os próximos passos estão novos investimentos em áreas de fronteira, como o Centro Internacional de Computação e Tecnologias Quânticas (Ciquanta), além de iniciativas voltadas à formação de pesquisadores e ao fortalecimento da infraestrutura científica do estado. A aposta é fazer com que o conhecimento produzido na Paraíba continue ganhando espaço, dentro e fora das universidades, e se transforme cada vez mais em inovação.

COMO O CLP MEDE A INOVAÇÃO

O pilar reúne investimento público em P&D, patentes, bolsas de mestrado e doutorado, estrutura de apoio à inovação (incubadoras, aceleradoras e parques), pesquisa científica, informação e comunicação, e empresas de alto crescimento. No total, o ranking avalia as 27 unidades da federação com 100 indicadores distribuídos em 10 pilares.

O desempenho da Paraíba em diferentes frentes ajuda a dimensionar esse movimento. O estado aparece entre os cinco primeiros do país em três indicadores diretamente ligados à capacidade de produzir e transformar conhecimento: investimentos públicos em P&D, patentes e pesquisa científica. É um conjunto de resultados que mostra uma Paraíba que não apenas avançou, mas vem construindo as condições para continuar avançando.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui