A política da cidade de Bayeux, na região metropolitana da capital, vive um período de incertezas e escândalos. Acusações e troca de mandatos protagonizaram o cenário político do município nos últimos meses.

Com exclusividade, o Jornal da Manhã, da Jovem Pan João Pessoa 102.5, teve acesso ao depoimento do empresário João Paulino, que aparece num vídeo supostamente pagando propina ao então prefeito de Bayeux, Berg Lima (sem partido), que está preso na sede do 5º BPM, em João Pessoa, há quatro meses. Ele teve vários pedidos de habeas corpus negado pela justiça paraibana e em Brasília.

Paulino revelou ter amizade com o prefeito interino, Luiz Antônio (PSDB), há mais de 20 anos e que o então vice-prefeito sabia que Berg estava sendo investigado.

O empresário, inclusive, afirma ter sido orientado por Luiz Antônio que o levou pessoalmente à delegacia. O MPPB também verificou que o policial civil que prendeu Berg Lima também seria amigo pessoal de Luiz Antônio. Em seu depoimento, o policial disse que o prefeito interino mentiu no vídeo vazado e que não tinha R$ 100 mil reais no carro.

Entenda o caso – Tudo começou em 5 de julho deste ano quando o então prefeito eleito, Berg Lima, foi preso em uma operação organizada pelo Gaeco, com base nas investigações da Delegacia de Defraudações. Sobre ele pesava a acusação de cobrança de propina a um empresário da cidade. Na ocasião um vídeo foi gravado com uma câmera escondida pela suposta vítima em uma churrascaria da cidade.

Porém, no dia 24 de outubro outro vídeo foi vazado. Mas agora quem figurava como principal suspeito era o atual prefeito da cidade, Luiz Antônio. Nele, Luiz Antônio pede a quantia de R$ 100 mil reais a um empresário. No diálogo fica subtendido que Luiz Antônio teria um vídeo que poderia pôr fim ao mandato de Berg e que ele assumiria a prefeitura.

Depoimentos – Logo após o vazamento desse segundo vídeo, o Ministério Público chamou para prestar depoimentos o empresário que gravou Berg: o empresário João Paulino. As revelações são surpreendentes. Primeiro, o Promotor que entrevista o empresário quer saber se ele acompanhou o vídeo vazado que mostra o prefeito Luiz Antônio supostamente pedindo valores ao empresário Ramon e se a conversa tinha alguma ligação com o flagrante preparado para o prefeito Berg.

Depois o Promotor insiste e pergunta se Paulino tem ligação com o vice-prefeito e o empresário revela uma ligação de mais de 20 anos com Luiz Antônio e que, por conta disso, às vezes o procurava para pedir que ele intercedesse para que o empresário recebesse valores pendentes na prefeitura. Já sobre os contatos com Luiz Antônio, Paulino revela um contato que teve com o prefeito em abril deste ano.

No depoimento dado ao Ministério Público, Paulino diz que era fornecedor da prefeitura e que na gestão Expedito Pereira, a prefeitura ficou devendo ao empresário R$ 77 mil reais. Ele disse que procurava o prefeito Berg na tentativa de receber a pendência da gestão passada e, nas palavras do empresário, Berg pedia importâncias financeiras para a liberação parcelada. O Promotor do MP quis saber então em relação a isso se ele tinha gravações que comprovassem os pedidos.

Em outro trecho, João Paulino diz ter pago, em maio, R$ 5 mil reais por uma primeira liberação de parte dos valores e que procurou Luiz Antonio – até então vice-prefeito – para falar sobre suas insatisfações. O vice teria orientado paulino a denunciar Berg e inclusive levou o empresário na Central de Polícia para o proceder a denúncia.

Por último, o representante do Ministério Público pergunta se os valores revelados por Luiz Antônio no vídeo eram compatíveis com as pendências de paulino. O empresário nega e diz acreditar que Luiz tinha alguma outra carta na manga contra Berg.

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