A regulamentação e valorização da profissão de maestros e coreógrafos de bandas marciais e fanfarras foram os principais assuntos discutidos, na tarde desta quinta-feira (19), durante audiência pública, na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP). No final, ficou acordado entre os participantes a formação de uma comissão para dialogar esses e outros problemas da categoria, junto à Secretaria de Educação e Cultura do Município (Sedec).

A audiência foi aprovada, através de requerimento do vereador Marcos Henriques (PT), no âmbito da Comissão de Políticas Públicas (CPP) da Casa. Na tribuna, o parlamentar petista falou da atenção da secretária de Educação, Edilma Ferreira, com as reivindicações e desejos da categoria. O vereador defendeu a valorização das atividades e funções desenvolvidas pelos maestros, professores de música e coreógrafos de Bandas Marciais e Fanfarras da Cidade.

Segundo Marcos Henriques, seria ideal que esses profissionais tivessem condições de se dedicar apenas na educação dos jovens alunos de bandas marciais, sem precisar buscar outras atividades remunerativas para sobreviver e sustentar a família. Emocionado, Henriques lembrou, na ocasião, do seu pai, Antônio Inácio (in memoriam), que foi regente, na década de 80, de bandas marciais dos Colégios Afonso Pereira e 7 de Setembro.

“Debater hoje a questão da profissionalização dos maestros e coreógrafos é motivo de muita honra e felicidade para mim, uma vez que meu pai, Antônio Inácio, dedicou boa parte de sua vida como regente e defensor das bandas marciais”, lembrou o vereador, cobrando o reconhecimento da profissão de maestros e coreógrafos e sua inserção no organograma funcional da administração pública.

Antes e durante a audiência pública, a Banda Marcial da Escola Municipal Anísio Teixeira, sob a regência do professor Carlos Guerra e apoio da coreógrafa Silvana Ferreira, se apresentou na frente e na galeria da Câmara.

Além de Marcos Henriques, também debateram o tema o líder do governo na CMJP, vereador Milanez Neto (PTB); o coordenador do Projeto de Bandas, Música e Dança da Sedec, Rômulo da Silva Albuquerque; o maestro de bandas da Rede de Ensino Público Municipal, Flaviano Ricardo; o presidente da Associação Sertaneja de Bandas e Fanfarras, Aramis Lins; o dirigente da Federação das Bandas e Fanfarras da Paraíba, Luiz Antônio; o professor do Departamento de Música da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Alexandre Magno; o presidente da Nova Central Sindical, Antônio Erivaldo; bem como outros regentes e alunos de bandas marciais da Capital.

Maestros e dirigentes de entidades destacam profissão como inclusão social

O professor Flaviano Ricardo considerou a audiência pública uma oportunidade ímpar para que a sociedade pudesse tomar conhecimento da importância da atividade de um maestro e de um coreógrafo dentro de uma banda marcial ou fanfarra musical.

O professor Aramis Lins ressaltou que o maestro e o coreógrafo educam jovens para vencer na vida, com dignidade, sabedoria e conhecimento. “Esses profissionais são mais do que professores de música e dança. São instrumentos de cidadania que, muitas vezes, atuam como psicólogos e orientadores, tirando jovens da criminalidade e resgatando vidas, através da cultura e educação”, completou Aramis.

O musicista e professor Luiz Antônio entende que os gestores e classe política precisam ter uma visão maior e melhor sobre o impacto social positivo que o trabalho dos maestros, regentes e coreógrafos causa na juventude. De acordo com Luiz, as bandas e fanfarras são instrumentos essenciais de inclusão social de homens e mulheres, tendo a música como pilar de sustentação.

O coordenador do Projeto de Bandas, Música e Dança da Sedec, Rômulo Albuquerque, destacou como ação importante da Prefeitura de João Pessoa a fim de melhorar o aprendizado musical dos alunos o projeto ‘Educar a Criança através da Música’. Rômulo revelou que esse projeto já transformou a vida de muitos alunos, como é o caso de Hermeson Lucas, que foi aluno de banda e hoje é professor do curso de Licenciatura em Música na UFPB.

Rômulo Albuquerque admitiu que estava muito orgulhoso em saber que as bandas podem causar transformações positivas no cidadão. De acordo com ele, João Pessoa tem hoje 89 escolas da rede pública de ensino com bandas marciais e cerca de 4 mil alunos, entre músicos e dançarinos, que integram o corpo musical e o corpo coreógrafo, respectivamente.

Líder do governo considera justas as reivindicações dos profissionais de música

O líder do governo na CMJP, Milanez Neto, considerou, em seu pronunciamento na tribuna, que a luta dos que fazem as bandas marciais e fanfarras do Município é justa e necessária. Milanez confidenciou seu orgulho ao ouvir o depoimento de vários alunos da Banda Anísio Teixeira, reverenciando a participação dos maestros e professores na formação e educação de cada um deles. “Através da música, o jovem pode vencer sim. Com isso, eu vejo que a Prefeitura está no caminho certo”, comemorou.

No final da audiência, o vereador Marcos Henriques apresentou a proposta de composição de uma comissão, representada por três maestros, dirigentes de entidades e integrantes da CMJP para dialogar com a Gestão Municipal.

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