Evento virtual da FCJA discute sobre comunidades tradicionais na formação cultural paraibana

Os painéis da terceira semana do evento virtual História Cultural da Paraíba – Diálogos Presentes, promovido pela Fundação Casa de José Américo (FCJA), tiveram como tema as contribuições e as dificuldades vividas por duas etnias fundamentais para a história e a cultura paraibanas: a indígena e a negra. Os debatedores foram os professores Rita de Cássia Santos, Estêvão Palitot, Elio Flores e Danilo Santos, com mediação da professora Lúcia Guerra. O evento virtual ocorre no canal oficial da FCJA na plataforma YouTube, sempre a partir das 9h30, até a primeira quinzena de julho.

Na terça (9), os professores Rita de Cássia Santos e Estêvão Palitot discorreram sobre o estabelecimento do território paraibano no período colonial, com disputas forjadas nas alianças de indígenas com portugueses e com holandeses, de cunho tanto ideológico quanto religioso. A professora Rita trouxe, como recorte, a presença indígena feminina na conquista e na formação da Paraíba. “Existe, no Brasil, um constante apagamento da importância indígena na formação nacional, e isso é ainda mais acentuado quando se trata da contribuição feminina nesse processo. Na Paraíba, não seria diferente”, alertou a professora.

A participação de Estêvão Palitot teve alguns problemas de conexão e precisou ser encurtada, mas ainda lhe permitiu mostrar que o território paraibano foi usurpado dos indígenas em processos como o da criação de aldeias religiosas na segunda metade do século XIX, que “limpou” o sertão para a criação de gado e empurrou os indígenas para a Zona da Mata. “Essa população não foi extinta física e socialmente; no entanto, juridicamente, ela foi desconsiderada como população detentora de direitos específicos”, disse. Ele frisou que o universo cultural indígena permanece e que muitos povos hoje buscam a reapropriação territorial. A explanação completa do professor deverá ser gravada e disponibilizada posteriormente, no canal oficial da FCJA no Youtube.

Atlântico negro – Na quinta-feira (11), os professores Élio Flores e Danilo Santos apresentaram o painel “A Paraíba e a cultura do Atlântico negro”. Questões agrárias, formação de quilombos, afrocatolicismo, coco, ciranda, candomblé, dificuldade de acesso ao poder político e econômico, insuficiência de políticas públicas, racismo – todos esses pontos foram abordados pelos dois pesquisadores, que apontaram caminhos para incluir esses temas nos currículos escolares. “Temos vasto conteúdo para estudar os povos quilombolas e a história afroparaibana, mas o nosso currículo é eurocêntrico”, disse Élio.

O professor Danilo acrescentou: “Precisamos descolonizar nossos currículos e lutar contra o racismo institucional. Os negros não tiveram acesso nem à terra nem à educação, e ainda foram criminalizados por isso”, observou, lembrando a criminalização de condutas como vadiagem, mendicância, embriaguez e prática da capoeira, por meio de leis que se arrastam desde a época do Império até os dias atuais, e que foram usadas para perseguir as camadas mais pobres e despossuídas da população brasileira, numa prática de higienização social.

Todos os painéis do evento virtual História Cultural da Paraíba – Diálogos Presentes estão à disposição no canal da FCJA no YouTube desde a primeira semana, para quem não viu ou pretende rever as discussões anteriores. Para o presidente da FCJA, o jornalista e escritor Fernando Moura, a excelência dos pesquisadores paraibanos, em todos os campos, salta aos olhos. “É prazeroso e obrigatório registrar o nível de conhecimento dos expositores, em todos os painéis. Dá gosto ouvir, aprender e relembrar”, ressaltou.