O Hospital São Vicente de Paulo, em João Pessoa, iniciou nesta terça-feira (13) o serviço de cardiologia intervencionista e hemodinâmica, em parceria com o Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Com capacidade estimada para realizar cerca de 100 procedimentos por mês, entre cateterismos cardíacos e angioplastias coronárias, a nova frente de assistência atenderá inicialmente pacientes regulados pela rede estadual de saúde.
Na abertura do serviço, foram realizados procedimentos como cateterismo cardíaco e angioplastias coronárias. A iniciativa amplia a assistência especializada em doenças cardiovasculares e deve contribuir para que o hospital se torne a segunda referência cardiológica SUS na capital, conforme previsão a ser confirmada junto à Secretaria de Estado da Saúde.
A ampliação ocorre em um cenário de grande impacto das doenças cardiovasculares no país. Dados de mortalidade de 2024, processados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, registraram 417.550 mortes por doenças cardiovasculares no Brasil. Desse total, 125.223 foram atribuídas à doença isquêmica do coração, associada, entre outras condições, à obstrução das artérias coronárias.
Diagnóstico e tratamento no mesmo serviço
Responsável pelos procedimentos de abertura, o cardiologista intervencionista Dr. Thiago Lisboa explicou que o cateterismo cardíaco permite identificar obstruções nas artérias do coração, enquanto a angioplastia pode ser realizada para tratar determinadas obstruções e restabelecer o fluxo sanguíneo.
“O cateterismo cardíaco é o exame invasivo inicial, no qual identificamos obstruções nas artérias do coração. Se o paciente precisar de tratamento, também podemos realizar a angioplastia coronária”, explicou.
Segundo o médico, o tempo de permanência hospitalar varia conforme o procedimento e a evolução clínica. Em casos selecionados, pacientes submetidos ao cateterismo podem receber alta após duas a três horas de observação. Após a angioplastia, a alta frequentemente ocorre no dia seguinte.
O hospital já dispunha de uma sala de hemodinâmica utilizada em especialidades como neurologia e cirurgia endovascular. Com a implantação da cardiologia intervencionista, a estrutura passa a atender também pacientes com doenças das artérias coronárias.
Coordenador do serviço de cardiologia do São Vicente, o Dr. Alexandre Duran destacou a importância da iniciativa para a saúde no estado. “Sou muito feliz pela oportunidade de participar e estar presente nesse marco da cardiologia e da saúde do estado da Paraíba”, afirmou.
Para o presidente do Instituto Walfredo Guedes Pereira (IWGP), Geraldo Guedes Pereira Filho, mantenedor do hospital, o início do serviço representa mais uma etapa na ampliação da assistência oferecida pela instituição, que tem 114 anos de história e atuação no atendimento à população paraibana.
Pacientes relatam acolhimento e esperança
Entre os primeiros pacientes atendidos estava Antônio Iranir, técnico de enfermagem há 14 anos, que relatou histórico de oito infartos e outros três episódios que descreveu como pré-infartos. Após apresentar novo mal-estar, foi encaminhado para realizar o procedimento no hospital.
“Hoje me senti como um rei nesse serviço. O tratamento foi nota dez, fui muito bem assistido, não me faltou nada e tudo correu bem. Já estou pronto para enfrentar minha nova jornada”, relatou.
Ana Paula Felipe, filha e acompanhante de Josefa Felipe dos Santos, também comemorou a realização do procedimento cardíaco da mãe, que aguardava desde março.
“Estamos muito felizes por ela ter conseguido fazer o procedimento. O acolhimento no Hospital São Vicente está sendo muito bom, e as pessoas que nos atenderam foram muito atenciosas e compreensivas”, afirmou.
Com o novo serviço, o Hospital São Vicente amplia sua atuação na assistência cardiovascular, em parceria com a rede estadual de saúde, oferecendo mais uma possibilidade de diagnóstico e tratamento especializado para pacientes da Paraíba.







