Oposição da Câmara comemora saída de Weintraub, mas questiona rumos da educação

A saída do ministro da Educação, Abraham Weintraub, dominou a discussão, em Plenário, da proposta que suspende os pagamentos devidos pelos estudantes ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) durante o estado de calamidade pública relacionado ao coronavírus (PL 1079/20). Deputados demonstraram apreensão quanto aos rumos da educação pública brasileira.

Ao lado do presidente Jair Bolsonaro, Weintraub anunciou em um vídeo, publicado na internet, que vai deixar o cargo. O primeiro a comentar a demissão foi o deputado Ivan Valente (Psol-SP). Ele afirmou que a saída já estava anunciada e foi divulgada nesta quinta-feira para minimizar os impactos da prisão de Fabrício Queiroz, ligado à família Bolsonaro. “O Weintraub é cachorro morto. Estão falando que ele está indo para o Banco Mundial para não ser preso pelo Supremo Tribunal Federal (STF)”, disse, referindo-se ao inquérito do STF sobre fake news e que inclui Weintraub entre os investigados.

O líder do PSB, deputado Alessandro Molon (RJ), também disse que o ministro pretende fugir de processos judiciais. “Weintraub vai para outro país apenas para fugir do Supremo, diante do qual se calou sobre as acusações de racismo”, afirmou.

Críticas
A líder do Psol, Fernanda Melchionna (RS), afirmou que Abraham Weintraub foi “o pior ministro da história do MEC”. “Ele saiu graças à luta dos estudantes e de todos que não aceitaram a tutela e o ataque às universidades, aos institutos federais, à ciência e à pesquisa”, afirmou. Ela destacou ainda que o partido quer revogar a portaria que extingue cotas na pós-graduação.

O deputado Elias Vaz (PSB-GO) disse que a saída de Weintraub é motivo de comemoração. “Um ministro que demonstrava verdadeiro ódio pelas universidades, pelos professores, uma coisa absurda”, afirmou.

Para o líder do PDT, Wolney Queiroz (PE), o vídeo de despedida de Weintraub é inadequado. “Weintraub fala que vai para um determinado banco, até para ter segurança, ele e a família, e a cachorrinha, Capitu. É lamentável que o desfecho da permanência do ministro Weintraub seja nesses termos, algo vergonhoso para o Brasil, mais uma vez”, disse.

Futuro
O deputado Tiago Mitraud (Novo-MG) declarou apreensão sobre o futuro ocupante da pasta. “Desejamos que no fundo do poço não haja um alçapão e que o presidente coloque no Ministério da Educação alguém de fato com capacidade de liderar e realizar as mudanças de que o Brasil tanto precisa nessa área”, disse. Ele afirmou que Weintraub há muito demonstrava não ter capacidade de liderar o MEC.

Legado
Para a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), Weintraub “assediou as universidades públicas”. “Weintraub ameaça e desdenha os ministros do Supremo, faz aglomerações e não deixará qualquer saudade. A educação agradece a saída de Weintraub”, afirmou.

A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) criticou várias ações do Ministério da Educação sob Weintraub: a correção da prova do Enem de 2019; a tentativa de intervenção na escolha de reitores das universidades; a tentativa de desmonte completo do Fundeb; e a portaria para reverter a política de cotas na pós-graduação.

O deputado Gastão Vieira (Pros-MA) afirmou que Weintraub “sabe tudo, menos de educação”. “Não avançamos em nada, estamos com um problema grave de financiamento da educação com o fim do Fundeb”, disse. Vieira destacou apreensão sobre o substituto. “Quem é que eles vão botar no lugar? Uma coisa eu sei: não será ninguém melhor e que pense diferente do ministro que está saindo, porque quem não gosta de educação é o presidente”, lamentou.

Defesa
O deputado Eli Borges (Solidariedade-TO) saiu em defesa de Weintraub ao afirmar estar alinhado com as pautas defendidas pelo ministro. “Espero que presidente da república, ao revelar o novo ministro, traga um ministro que tenha a visão da defesa da família biológica como centro da sociedade”, disse.

Fonte: Agência Câmara de Notícias