Presidente da ACCG critica caráter eleitoral da mudança na escala de trabalho e alerta para impactos no setor produtivo

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Campina Grande, Sidney Toledo, criticou a forma como foi conduzida a proposta de mudança na escala de trabalho no Brasil, classificando a iniciativa como “extremamente eleitoreira”. Para o dirigente, a aprovação da medida pelo Congresso Nacional em um período próximo ao segundo turno das eleições levanta questionamentos sobre a motivação política da decisão e a ausência de um debate mais aprofundado sobre seus efeitos econômicos.

Sidney Toledo ressaltou que o setor produtivo não é contrário à ampliação do período de descanso dos trabalhadores. Segundo ele, a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho é legítima e necessária, mas deveria ser conduzida com planejamento, diálogo entre os diferentes segmentos da sociedade e análise das condições necessárias para a implementação das novas regras.

 

Na avaliação do presidente da Associação Comercial, alterações dessa dimensão precisam considerar a realidade das empresas, os custos operacionais e os possíveis reflexos sobre a economia. Ele alertou que, caso os custos de produção aumentem sem medidas que permitam absorver esse impacto, parte das despesas poderá ser repassada aos preços de produtos e serviços, afetando diretamente o poder de compra dos consumidores.

O dirigente também chamou atenção para o risco de os próprios trabalhadores sofrerem consequências econômicas indesejadas. “Se houver um aumento de preços, por exemplo, todos os trabalhadores serão prejudicados e terão seus salários ainda mais afetados”, alertou Sidney Toledo, ao defender que os efeitos da mudança sejam avaliados de forma ampla, levando em conta tanto os direitos dos empregados quanto a sustentabilidade das atividades empresariais.

Diante desse cenário, Sidney afirmou que as entidades representativas do setor produtivo pretendem intensificar o diálogo com o próximo governo para discutir alternativas que reduzam os impactos financeiros da mudança. Entre as prioridades está a busca por mecanismos de compensação para os custos adicionais que poderão atingir as empresas. Para o dirigente, o desafio será encontrar um equilíbrio entre a melhoria das condições de trabalho, a preservação dos empregos e a manutenção da competitividade da economia brasileira.

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