PODER360: O líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB), afirma que o governo ganha mais na reaproximação com o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que com o Centrão.

O flerte do Planalto com os partidos do bloco envolve a indicação de aliados dos caciques dos partidos do grupo para ocuparem cargos na administração federal.

Correligionário de Efraim, Maia teve atritos com o presidente da República nos últimos meses. Em 14 de maio, porém, reuniu-se com Jair Bolsonaro e sinalizou ter havido pacificação.

A reconciliação deverá influenciar no enfrentamento da pandemia, na leitura do líder do DEM. Ele afirma que é necessário união contra o “inimigo comum”, o coronavírus.

 

“Essa aliança com o Centrão não dá ao presidente Bolsonaro a agenda da Câmara”, afirma Efraim. Quem decide qual projeto será colocado em pauta e votado é Rodrigo Maia.

O líder do DEM diz que o presidente da Câmara tem feito gestos ao governo. Na próxima semana, por exemplo, medidas provisórias devem dominar a pauta de votações da Casa. Essas matérias têm interesse prioritário do Executivo.

O avanço do Planalto sobre o Centrão minou 1 pouco da influência de Rodrigo Maia sobre os deputados. O grupo do demista, porém, segue sendo decisivo, de acordo com Efraim.

“Essa nova base do presidente Bolsonaro representa 1/3 da Câmara. A oposição tem 1/3 e esse núcleo independente vinculado à presidência da Câmara tem 1/3. Como governo e oposição nunca vão jogar juntos, raramente isso vai ter condição de acontecer em algum projeto… governo com 1/3 e oposição com 1/3, esse núcleo [de Maia], mesmo com 1 número menor de deputados depois da saída do Centrão, continua sendo decisivo”, analisa o líder do DEM.

A dinâmica poderá ser decisiva na sucessão de Maia, afirma Efraim Filho: “Governo e oposição nunca vão votar no mesmo candidato”. A eleição para escolher o próximo presidente da Câmara será em fevereiro de 2021. São aventados nomes como Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Arthur Lira (PP-AL), e Marcos Pereira (Republicanos-SP).

DEM e governo

O líder da bancada do DEM na Câmara afirma que o partido vota com o governo quando há afinidade programática. Diz que não está indicando ocupantes de cargos, mas não julga os partidos que indicam.

Os políticos da sigla têm conversado com o Planalto sobre liberação de recursos para benfeitorias em suas bases além das emendas, cuja execução pelo governo é obrigatória.

A liberação de verbas para as bases também está fazendo parte das conversas entre governo e Centrão, como mostrou o Poder360.

Pauta da Câmara

Efraim Filho também falou na entrevista sobre propostas em discussão na Câmara dos Deputados.

A MP 936, que permite a redução temporária de salários por até 3 meses com complemento da renda do trabalhador pelo governo federal, deve ter o prazo prorrogado, de acordo com o demista.

A MP 944, que abre linha de crédito para pequenas empresas bancarem suas folhas de pagamento, também precisa de alteração. O dinheiro não está chegando ao destino porque parte do risco das operações fica com os bancos, intermediários dos empréstimos. O risco, diz Efraim, precisa ser todo do Tesouro para viabilizar o programa de crédito.

O líder do DEM afirma que as próximas prioridades do Legislativo no combate à pandemia deveriam ser desburocratizar a certificação de novas tecnologias que possam ajudar a conter os danos do coronavírus.

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