A partir das 17h02 desta sexta-feira (22), no horário de Brasília (DF), começa a primavera e, junto com ela, a temperatura sobe. A previsão para este ano é que os termômetros marquem temperaturas acima da média histórica e que o período chuvoso atrase, podendo começar apenas em meados de outubro em algumas regiões.

Estação transitória entre o inverno e o verão, na primavera, a evaporação de massas de água e do solo contribui para a criação das nuvens de chuva. Historicamente, as primeiras precipitações caem a partir da segunda quinzena de setembro. Porém, neste ano, há tendência de alteração nesse período. “É importante ressaltar que as previsões climáticas mostraram que deve haver atraso no início da estação chuvosa”, afirmou a meteorologista Renata Tedeschi, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe)

A explicação está na falta de umidade no ar – ocasionada pela estação seca na região central do Brasil – e no baixo volume de precipitações na Amazônia nos últimos meses, que é responsável por formar os sistemas de chuvas que chegam às regiões Centro-Oeste e Sudeste, além da porção sudoeste do Nordeste.

“O déficit de umidade no ar tem duas origens. Uma é que está chovendo abaixo da média na região Norte há muitos meses e é lá que a umidade forma as nuvens de chuva que vão cair no Centro-Oeste e, depois, no Sudeste. A outra é que o solo nessa parte central tem pouca umidade, por conta do déficit de chuvas de pelo menos dois anos nessa região”, destacou o coordenador-geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi.

Também é importante que a população fique atenta às pancadas de chuva, conhecidas pelo alto volume de precipitações em um curto espaço de tempo. “É durante a primavera que iniciam-se as pancadas de chuva no final da tarde ou à noite, devido ao aumento do calor e da umidade que se intensificam gradativamente no decorrer desta estação. Em algumas ocasiões, podem ocorrer raios, ventos e queda de granizo”, destacou Renata Tedeschi.

Época de mudanças

É nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul que as mudanças de estação podem ser percebidas com mais clareza: as duas primeiras, mais o sudoeste da Amazônia, por conta da transição do período de seca para o chuvoso, enquanto a última pela elevação da temperatura.

“No Centro-Oeste e no Sul é claramente uma transição entre o inverno, frio e seco, e o verão, quente e úmido. No Sul, a questão da chuva não é tão relevante, porque chove regularmente o ano todo. Lá, a primavera caracteriza-se por uma transição das temperaturas frias do inverno para o calor do verão”, explicou Renata Tedeschi.

Já o Nordeste e a porção nordeste da região Norte vão viver a época mais seca do ano. Segundo a meteorologista, isso se deve ao seu posicionamento geográfico, uma vez que estão localizadas na zona tropical do planeta.

Renascimento da flora

O segundo equinócio do ano marca o início da primavera – quando noite e dia têm a mesma duração. As estações do ano são fenômenos naturais e ocorrem devido à inclinação do eixo da Terra em relação ao plano de sua órbita ao redor do Sol. O instante exato do início de uma estação do ano é determinado por uma posição específica da Terra em sua órbita.

“Em astronomia, estudamos o movimento dos astros tendo a Terra como referencial. Nesse referencial, construímos a esfera celeste, cujo equador é uma continuação do equador terrestre. Assim, o Sol faz um caminho na esfera celeste ao qual chamamos de eclíptica. Nessa perspectiva, quando o Sol chega à linha do equador celeste, indo de norte para sul na esfera celeste, é equinócio de primavera no hemisfério sul e de outono no hemisfério norte”, explica a pesquisadora do Observatório Nacional, Josina Nascimento.

A maneira como os raios solares incidem nos hemisférios marca as estações do ano e, além da temperatura, um dos efeitos que evidencia as estações é a variação da duração dos dias, ou seja, a quantidade de tempo em que o Sol fica acima do horizonte.

Esse efeito praticamente não existe nas regiões próximas do equador terrestre e é cada vez mais evidente à medida que nos afastamos. Agora, no início da primavera, os dias terão praticamente a mesma duração que as noites: vão ficando cada vez maiores, e as noites cada vez menores, até o maior dia do ano, que ocorre no início do verão. Neste ano, o verão começa no dia 21 de dezembro às 13h28, hora de Brasília.

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