Botafogo-PB tem R$ 2,7 milhões em despesas a serem pagas até dezembro; pelo menos R$ 623 mil já estão em atraso

 

 

A aparência de tranquilidade financeira defendida pela atual diretoria do Botafogo-PB não condiz com a realidade. Um planilha produzida pela tesouraria do Belo a mando do ex-presidente do clube, Sérgio Meira, no dia em que foi assinado os termos do acordo com o grupo de oposição, confirmou que o Botafogo-PB tem uma previsão de despesa corrente de R$ 2.772.869,22 até dezembro de 2020.

 

A planilha contrapõe a versão de que está tudo em dia e de que o clube não passar por uma profunda crise financeira decorrente de uma gestão temerária. Do total de despesas até dezembro, R$ 623.944,86 são somente de despesas atrasadas:

 

  • R$ 370,3 mil de empréstimos feitos pela diretoria ao clube;

  • R$ 7,8 mil ao supermercado;

  • R$ 933 a outros fornecedores;

  • R$ 5.340 referente a 10ª parcela do financiamento para instalação da energia solar

  • R$ 35,5 mil de parcelamento de impostos

  • R$ 141 mil de GPS e IRPF

  • R$ 62,8 de FGTS

  • TOTAL: R$ 623,9 mil

 

Os valores atrasados referentes aos impostos podem ser conferidos nos documentos firmados entre o clube a a União para parcelamento dos débitos previdenciários e não previdenciários. O valor total da dívida atual do clube com o governo federal é de R$ 239.433,22.

 

O débito com a União acarreta na perda da Certidão Negativa de Débitos (CND) do Botafogo, uma conquista alcançada em 2014 após um trabalho de muitos anos de abnegados. Sem a CND, o clube, entre outras coisas, deixa de ter como uma de suas receitas o valor pago mensalmente pela Timemania.

 

Em relação aos salários de atletas e comissão, citadas em torno de R$ 370 mil por mês, são na verdade 15% maiores, pois o percentual restante foi assumido pelo governo federal na linha de auxílio emergencial às pessoas jurídicas durante a pandemia. Outro valor que pode ser acrescido à folha com pessoal é a despesa com aluguéis de atletas e comissão, pagos como “auxílio moradia”, com um custo mensal de R$ 50 mil.

 

Somando apenas os valores a serem arcados com a folha de jogadores e comissão e com os aluguéis, o Botafogo tem que assumir para fechar o ano com, pelo menos, R$ 1,680 milhão, aproximadamente 60% do total das despesas previstas até o fim do ano.

 

Constam ainda na planilha acertos financeiros feitos com os ex-treinadores Evaristo Piza (R$ 60 mil) e Mauro Fernandes (R$ 32 mil) e jogadores que deixaram o clube como Pimentinha (R$ 10 mil), Maykon Aquino (R$ 5,1mil) e Lucas Simon (R$ 24,9 mil).

 

Farsa da energia solar

 

Uma das principais ações administrativas, usada exaustivamente como marketing da atual gestão, a instalação dos painéis de energia solar no Centro de Treinamento Maravilha do Contorno, propagandeada em toda mídia esportiva local e regional, na realidade não rende a economia esperada, é mais uma mentira entre tantas contadas pela diretoria.

 

Somando o valor pago como parcela do financiamento junto ao banco para instalação dos painéis, R$ 5.340,38, com o valor médio pago atualmente como conta de energia elétrica, R$ 1.200, temos um valor total de R$ 6.540,38 somente de despesas com o fornecimento de energia elétrica no clube.

 

Tomando como referência uma conta do clube de maio de 2019, levando em consideração que o consumo médio não variou tanto assim entre um ano e outro, o clube arcou com uma despesa de R$ 5.572,73, uma quantia inferior ao que o clube paga atualmente na soma do financiamento da energia solar e do próprio consumo de energia elétrica junto à concessionária.

 

Falta de verdade

A planilha com a previsão de despesas do clube, o documento que esclarece à torcida a real situação do Botafogo-PB, só veio a público porque houve uma obrigação do então presidente Sérgio Meira em apresentar o estado financeiro para que houvesse o acordo com a oposição. Se a torcida fosse depender da transparência do atual presidente Orlando Soares ou do seu vice-presidente de finanças, Pedro Ruffo, os torcedores alvinegros da estrela vermelha continuariam alheios aos problemas do clube.

 

Os requisitos básicos de transparência, mais uma vez, foram desrespeitados pela atual gestão. Após não cumprir com o prazo legal previsto pela Lei Pelé para prestação de contas do ano anterior, fato consumado, a diretoria atual também faz vistas grossas à obrigação de apresentação de relatórios trimestrais com o balanço financeiro do clube.