Rosana Gadelha

Da ocupação de julgar – Rosana Gadelha

Fui convidada para escrever aqui, no Acesso Político, e fiquei pensando qual o tema seria mais
interessante para abordar, afinal ninguém está suportando ler tanta coisa pesada nesse tempo
complicado de pandemia.

Mas o que seria considerado leve? Quase tudo que sai na mídia caminha para o lado político e
produz um ruído negativo. Aliás, as críticas são constantes e tem sido raro hoje em dia escutar
elogios ou análises ponderadas, positivas, das coisas que acontecem no nosso dia a dia.

O que me surpreende é que muitas pessoas têm pouco conhecimento sobre o que comentam.
Julgam. Ficam fazendo avaliações rasas, atribuindo notas por meio de conteúdos que adquirem em
grupos de WhatsApp, no instagram ou facebook e, quase sempre, beiram a injuria e a difamação.
A política está no nosso cotidiano, no habitual, todos sabemos disso, mas tem sido comum
escutarmos as pessoas dizendo: não suporto mais política, estou de “saco cheio”! Político é tudo
ladrão!

Será mesmo? Atribuir toda a culpa aos políticos tem sido fácil e comum, porque afinal a corrupção é
tão grande no Brasil que não sobra quase ninguém com idoneidade. Mas essa característica é só dos
políticos ou é uma questão inerente ao ser humano?

Será se há médicos que falsificam laudos? Há advogados que mentem? E engenheiros que alteram os
cálculos? Será se há pedreiros que modificam o reboco? Há professores que fingem ensinar? E
policiais corruptos, será? Devemos acreditar piamente no vendedor de carros? E no profissional que
vai consertar a nossa geladeira?

Se pararmos para pensar direitinho, os políticos vêm da nossa sociedade, são cidadãos. Nesse
momento eu sei que “tá puxado”, como dizem na gíria. São decepções em série, mas precisamos
repensar também as nossas ações enquanto habitantes da cidade, do estado e do país, deixando de
lado a ocupação de julgar sem o conhecimento devido.

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