A Polícia Civil da Paraíba, por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), deflagrou na manhã de desta quinta-feira, dia 27, a Operação Argos. A ação representa o golpe mais contundente desferido contra o narcotráfico interestadual nos últimos anos, resultando na desarticulação da cúpula liderada pelo indivíduo que se consolidou como o maior fornecedor de entorpecentes da Paraíba e regiões estratégicas do Sertão de Pernambuco e Ceará. Trata-se de Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”.
A operação mobiliza um efetivo histórico de mais de 400 policiais civis e conta com o suporte do GAECO/MPPB, forças especializadas como o GOE, GOC, UNINTELPOL, Coordeam, as Delegacias de Repressão a Entorpecentes (DRE-JP e DRE-CG) e Delegacias estratégicas da 1ª, 2ª e 3ª uperintendências. No estado de São Paulo, a operação contou com o apoio fundamental da Polícia Civil paulista, por intermédio do DENARC/PCSP, do DEIC de São Bernardo do Campo/PCSP e do DEIC de Piracicaba/PCSP, além da colaboração das Polícias Civis da Bahia e Mato Grosso.
A investigação teve gênese em meados de 2023. Naquela ocasião, a DRACO e forças parceiras iniciaram uma sequência de apreensões recordes de carregamentos de entorpecentes em território paraibano. O cruzamento de dados de inteligência revelou que todas as cargas pertenciam a um único proprietário: Jamilton Alves Franco, o “Chocô”. A partir da análise dos aparelhos celulares apreendidos e da quebra de sigilos bancários, a Polícia Civil
descortinou uma estrutura criminosa de poder financeiro abissal, que operava como uma verdadeira holding do crime interestadual.
O líder da organização, o Chocô, é natural de Cajazeiras, mas migrou para o estado de São Paulo ainda na juventude. Sua trajetória no crime não foi linear; dentro do sistema prisional paulista, Franco ascendeu socialmente no submundo ao estabelecer conexões diretas com o Núcleo “Sintonia”
do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A “Sintonia” é a cúpula máxima que dita as diretrizes operacionais e disciplinares da referida facção. Ao integrar-se a essa engrenagem de poder, “Chocô” obteve a logística necessária para se tornar o principal hub de distribuição de cocaína e maconha para o Nordeste. Sua ascensão financeira foi meteórica: o paraibano, que outrora era um criminoso comum, passou a ostentar uma vida nababesca, com viagens luxuosas, veículos esportivos de alto padrão e uma rede de imóveis de luxo, tudo financiado pela dependência química de milhares de paraibanos.
CRONOLOGIA DAS APREENSÕES: O PREJUÍZO MILIONÁRIO
A investigação foi pavimentada por apreensões que somam prejuízos que superam os R$ 100 milhões para a Organização
Criminosa (ORCRIM).

Apreensões relevantes:
- Maio de 2023 (Patos/PB): Apreensão de 150kg de cocaína
escondidos em um caminhão Scania. Prejuízo: R$ 27 milhões.
Junho de 2023 (Cajazeiras/PB): Apreensão de 400kg de
drogas (380kg de maconha e 20kg de cocaína). Prejuízo: R$
6,8 milhões.
- Outubro de 2023 (Conceição/PB): Apreensão recorde de 1
tonelada de drogas. Prejuízo: R$ 46 milhões.
- Dezembro de 2024 (Patos/PB): Interceptação de 30kg de
drogas. Prejuízo: R$ 1,5 milhão.
- Setembro de 2025 (Patos/PB): Apreensão de 50kg de
entorpecentes. Prejuízo: R$ 1 milhão.
OPERAÇÃO ARGOS: A VIGILÂNCIA QUE NUNCA DORME
O nome da operação remete ao gigante mitológico Argos Panoptes, o guardião de cem olhos que nunca dormia totalmente. O simbolismo reflete a atuação da Polícia Civil da Paraíba e da DRACO: uma vigilância ininterrupta e implacável. Mesmo diante da complexidade de uma ORCRIM com ramificações em múltiplos estados, a instituição demonstra que está com os “olhos abertos”, monitorando cada movimento do crime organizado para agir com precisão cirúrgica.
Operadores de Destaque na Lavagem:
- Giovanna Parafatti: Ex-bancária com profundo conhecimento do sistema financeiro. Movimentou mais de R$ 15 milhões através de uma holding familiar e da empresa de fachada G Parafatti S Administrativos. Utilizava familiares para pulverizar recursos e adquirir veículos esportivos para a cúpula da ORCRIM.
- Naiara Batistelo: Médica formada na Bolívia e atuante no Mato Grosso. Atuava como um “hub” de liquidez na fronteira, recebendo mais de R$ 10,9 milhões em 29 meses. A suspeita é que seu histórico acadêmico na Bolívia facilitou sua cooptação como “laranja financeira” no comércio transfronteiriço de cocaína.
A Infiltração em Licitações Públicas:
A investigação revelou um braço perigoso da ORCRIM: a tentativa de lavagem de dinheiro através de contratos públicos.
- AF Amaro Construções (Pombal/PB): Recebeu quase R$ 3 milhões em empenhos públicos em 2024 para serviços de esgoto e lixo, sem possuir funcionários registrados. O dinheiro público era usado para irrigar o tráfico de drogas liderado por
Luciano Moraes. - Empresa de Goiás: Com apenas um funcionário, transacionava milhões com o narcotráfico da Paraíba e possuía sóciosb envolvidos em crimes licitatórios em Minas Gerais.
DILIGÊNCIAS E MANDADOS JUDICIAIS
A Operação ARGOS cumpre mandados em 13 cidades: João Pessoa, Campina Grande, Areia, Alagoa Nova, Patos, Pombal, Sousa, Cajazeiras (PB); São Paulo, São Bernardo do Campo,
Hortolândia (SP); Cândido Sales (BA) e Nova Santa Helena (MT).
Resumo das Medidas Judiciais:
- 44 Mandados de Prisão Preventiva (32 na PB, 10 em SP, 1 na BA, 1 no MT).
- 45 Mandados de Busca e Apreensão.
- Bloqueio de R$ 104.881.124,34 em contas bancárias de 199 alvos.
- Sequestro de 13 Imóveis de luxo.
- Sequestro de 40 Veículos, incluindo carros esportivos e frotas de transporte, avaliados em mais de R$ 10 milhões. Com esta ação, a Polícia Civil da Paraíba neutraliza o tripé que sustenta o crime: Logística, Varejo e Capital.







